"A tecnologia digital potencializa exacerbações e formas radicais de captura da realidade."
A cada dia que passa existe uma busca maior pela estética da realidade no campo audiovisual. Ou seja existe um impulso documental. Ou seria somente um modismo corrente?
A estética documental, muitas vezes vem como uma estratégia deixando de lado ou até maquiando a realidade a ser mostrada. Trazendo-nos a dúvida do que seria o real, a representação, a verdade.
Todos os tipos de mídias vêm utilizando dessa estrutura que relata ou tenta relatar a realidade. É um fenômeno em expansão no campo audiovisual, isso devido ao crescimento da tecnologia com ferramentas que ajudam no registro do comportamento humano comum.
Exemplos da potência que alguns formatos instantâneos da realidade produzem:
Cinema: existe uma enorme procura pelos filmes documentais ou narrativos, reais ou baseados na realidade. Blefe ou estratégia de linguagem de filmes como A Bruxa de Blair atraem enormes platéias.
Televisão: realities shows são campeões de audiência devido à estrutura tecnológica – por exemplo, câmeras capazes de mostrar imagens captadas dos participantes no escuro.
Celulares com câmeras: o indivíduo comum se torna um emissor em potencial.
Blog: dá o poder ao anônimo, transformando-o em um veículo de legitimação jornalística e literária. A banalidade da vida comum se torna um fenômeno. Produzir algo se torna publicar a experiência, ou seja, tornando público a realidade.
Vídeo Game: a realidade não se impõe, mas mesmo assim está presente a estética da realidade através de jogos que resultam em conceitos e situações da realidade. Há um simulador de realidade, unindo o real e o virtual.
Com tantos trabalhos baseados na realidade, surge a dúvida do que é realidade e atuação. Atuar significa representar uma idéia, tendo ela sido vivenciada ou não. Esses trabalhos nos apresentam o poder de transformar algo falso numa idéia de verdade.
Seria possível então documentar a realidade a partir de representações? Podemos ligar a realidade com a representação, mas o real seria uma tradução de sensações.
Os aparelhos tecnológicos, as mídias, a internet - a tecnologia da intimidade- estão mudando as formas de representação do mundo, eliminando a diferença entre público e privado.
A nova cultura é apreciar a intimidade do outro. É ter prazer na realidade e no real. Por conta disso, muitas estruturas estão sendo mudadas para a estética da realidade, baseadas em programas policiais, onde movimentos de câmeras não são perfeitos, dando a impressão de uma realidade autêntica.
O público ao invés de viver a realidade, somente a consome. A mídia constrói o real, surge a realidade midiática. É aí que se encontram a arte e o real.
O real é vendido como mercadoria, quebrando a barreira entre a realidade e o controle. As vidas começam a ser controladas, some a liberdade e a intimidade verdadeira.
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